Tecendo o Sistema Nervoso de um Novo Mundo

*Por Leonardo Barbero, Vice-presidente Sênior de Produto da CenturyLink para América Latina

Quarta-feira, 29 de maio de 2019 — Embora não faltem críticos acusando a indústria tecnológica de exagerar ao apresentar novos conceitos ou perspectivas para o futuro, hoje há razões bem fundamentadas para concluir que estamos próximos de mudanças radicais para a humanidade, baseadas nos últimos avanços tecnológicos.

Apesar de todos nós conhecermos e visualizarmos o impacto de inovações como o Big Data, a Internet das Coisas (IoT) e a Inteligência Artificial (IA), para citar só alguns exemplos, é claro que os avanços conjuntos dessas tecnologias, que apontam para a automação total de tarefas produtivas, supõe transformações econômicas, sociais e culturais sem precedentes.

Considere, por exemplo, o que acontece com a IA, que, como destacado pela Gartner, aparece conectada a praticamente todas as tendências tecnológicas, sendo responsável por, todos os dias, nos deparamos com mais "coisas autônomas", ou seja, dispositivos capazes de se mover sozinhos, como drones, robôs, carros e até aviões. A mesma empresa de consultoria prevê que até 2028 veremos um aumento da presença de plataformas de conversação, realidade aumentada, realidade mista e realidade virtual, e que esse desenvolvimento mudará até mesmo a nossa percepção e a maneira de interagirmos com o mundo físico que nos cerca.

Também conhecida como a Quarta Revolução Industrial, a transformação econômica associada a esta nova era tecnológica não se refere apenas a empresas, mas também a países, já que as nações mais inteligentes e digitalizadas tomarão a dianteira nas próximas décadas. No entanto, essas mudanças afetarão diretamente a vida das pessoas, sendo o mundo do trabalho um dos que sofrerá os maiores altos e baixos, impactando mudanças sociais e culturais de grande alcance.

Na prática, a mudança no mercado de trabalho significará a criação de novas profissões e habilidades, algumas das quais já começam a ser ensinadas em universidades de países desenvolvidos. A digitalização será como a alfabetização antigamente e exigirá a junção de conhecimentos antes considerados totalmente incompatíveis, como as ciências humanas com a ciência da computação, por exemplo. Para tanto, os soft skills, ou habilidades “leves”, e a criatividade serão indispensáveis para os trabalhadores do futuro, já que o restante das tarefas será realizado por robôs e máquinas equipadas com IA. Neste ponto, o debate hoje é se haverá ou não uma crise no mercado de trabalho, sendo o caminho mais provável a substituição gradual dos humanos por máquinas em muitas das tarefas atuais, orientando as pessoas para empregos que hoje chamamos de "altamente qualificados".

O mais importante de tudo isso é que não se trata de ficção científica sobre um futuro provável, mas de uma questão real na qual devemos trabalhar desde já. Isso significa fazer mudanças no ensino superior para incorporar a oferta de novas profissões o quanto antes, porque disso dependerá a forma como um país estará inserido nesse novo mundo. Estamos na era do conhecimento, em que os dados são o maior tesouro para empresas, países e pessoas, tanto na vida pessoal quanto profissional. Isso se reflete na valorização das principais companhias do mundo, onde as lideranças não são aquelas com mais ativos físicos, mas as mais inovadoras, que baseiam os resultados em informações, algoritmos e criatividade.

É necessário construir e desenvolver um novo "sistema nervoso" para a sociedade e os países, em que o conhecimento se estenda a todos os lugares e camadas sociais. Na América Latina, essa tarefa é mais árdua porque a contribuição dos trabalhadores do conhecimento para o PIB (produto interno bruto) ainda é muito baixa. Até pouco tempo, representava apenas 16%, distante da média de países como Estados Unidos (30%) ou Coreia (45%), de acordo com dados da Accenture.

Isso nos aponta também a necessidade de cada empresa e de cada país construir a infraestrutura de telecomunicações necessária para abraçar a tempo o potencial das novas tecnologias de informação e comunicação. Esse outro "sistema nervoso" equivale ao que foram as estradas, ruas, portos e pontes, que permitiram forjar o desenvolvimento econômico e social nas décadas anteriores. A consolidação dessa rodovia digital de alta velocidade será essencial em nossa transição para um novo mundo, porque dela dependerá a inteligência de nossos lares, empresas, cidades e países.

Novas formas de produzir e trabalhar representarão desafios econômicos, sociais e culturais que não podemos ignorar hoje, enquanto o mundo ciber-físico já está diante dos nossos olhos. E todos nós temos um papel a desempenhar nesta transição, porque, apesar de estarmos mais rodeados de máquinas a cada dia, o ser humano estará sempre no centro delas.

Sobre a CenturyLink
CenturyLink (NYSE: CTL) é o segundo maior provedor de comunicações dos Estados Unidos para clientes corporativos globais.  Com clientes em mais de 60 países e um foco intenso na experiência do cliente, a CenturyLink se esforça para ser a melhor empresa de redes do mundo, ao resolver a crescente demanda dos clientes por conexões confiáveis e seguras. A empresa também atua como o parceiro de confiança de seus clientes, ajudando-os a administrar complexidades crescentes de rede e TI e fornecendo soluções gerenciadas de rede e de cibersegurança, que ajuda a proteger seus negócios. 


Leonardo Barbero, Vice-presidente Sênior de Produto da CenturyLink para América Latina

Leonardo Barbero, Vice-presidente Sênior de Produto da CenturyLink para América Latina

Denise Claudino